Alimentação na gravidez: o que comer em cada trimestre

Gestante segurando uma maçã na cozinha

A alimentação na gravidez não precisa ser complicada nem cheia de proibições. A base é comida de verdade, em horários regulares, com atenção a alguns nutrientes e às mudanças de cada trimestre.

O que comer na gravidez: a base do prato

O Guia Alimentar do Ministério da Saúde vale também para a gestante. Prefira alimentos naturais ou pouco processados e deixe os ultraprocessados para ocasiões pontuais.

  • Verduras e legumes: em boa quantidade no almoço e no jantar.
  • Frutas: todos os dias, de preferência inteiras.
  • Arroz e feijão: a combinação brasileira é ótima fonte de energia, fibras e ferro.
  • Proteínas: carnes, frango, peixes e ovos bem cozidos.
  • Leite e derivados: boas fontes de cálcio, sempre pasteurizados.
  • Água: ao longo do dia. Urina clara é um bom sinal de hidratação.

Nutrientes que não podem faltar

  • Ácido fólico: ajuda a prevenir defeitos no tubo neural do bebê. O ideal é começar a suplementação antes de engravidar e manter pelo menos até o fim do 1º trimestre.
  • Ferro: a necessidade aumenta muito na gestação. Veja mais em deficiência de ferro na gravidez.
  • Cálcio: o Ministério da Saúde recomenda a suplementação na gestação para ajudar a prevenir a pré-eclâmpsia. A dose e o início são definidos no pré-natal.
  • Ômega 3: importante para o cérebro e a visão do bebê. Peixes como sardinha e salmão, bem cozidos, duas vezes por semana, são boas fontes.
  • Iodo: use sal iodado, sem exagero na quantidade.
  • Vitamina B12: quem é vegetariana ou vegana geralmente precisa suplementar.

Alimentação no 1º trimestre

No início da gestação, a necessidade de calorias praticamente não muda. O foco é a qualidade da alimentação e o ácido fólico.

É também a fase do enjoo. Algumas estratégias ajudam:

  • Comer pequenas porções a cada 2 ou 3 horas, sem ficar muito tempo de estômago vazio.
  • Ter à mão alimentos secos, como torradas ou biscoito de água e sal, para comer ao acordar.
  • Tomar líquidos entre as refeições, e não junto com elas.
  • Evitar cheiros fortes e frituras, que costumam piorar a náusea.

Se o enjoo impede você de se alimentar ou de se hidratar, avise o seu obstetra.

Alimentação no 2º trimestre

O apetite costuma melhorar, e a necessidade de energia aumenta um pouco. Na prática, equivale a um lanche a mais por dia, como um iogurte com fruta e aveia, e não a "comer por dois".

Entre 24 e 28 semanas, é feito o exame de curva glicêmica para investigar o diabetes gestacional. Uma alimentação equilibrada desde o início ajuda a manter a glicemia sob controle.

Alimentação no 3º trimestre

O bebê cresce mais rápido, e a necessidade de energia e proteína é maior. Ao mesmo tempo, o útero aperta o estômago e o intestino, o que traz alguns desconfortos:

  • Azia: prefira refeições menores, evite deitar logo depois de comer, evite o café e reduza frituras e alimentos muito gordurosos.
  • Intestino preso: aumente as fibras, com frutas, verduras, feijão e aveia, sempre junto com mais água.
  • Inchaço: reduza o sal e os ultraprocessados, que costumam ter muito sódio.

O que evitar

Álcool, carnes e peixes crus, ovos mal cozidos e queijos de leite cru estão entre os principais cuidados. Veja a lista completa em o que grávida não pode comer.

"Comer por dois" é verdade?

Não. A necessidade de vitaminas e minerais aumenta mais do que a de calorias. Comer em excesso favorece o ganho de peso acima do recomendado e o diabetes gestacional.

Consulte uma nutricionista. Cada mulher e cada fase são únicas. As orientações deste texto são gerais, e uma nutricionista pode avaliar o seu caso e montar um plano individualizado.

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Leia também

Referências

  • Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª edição, 2014.
  • Ministério da Saúde. Caderneta da Gestante, 2022.
  • Institute of Medicine. Dietary Reference Intakes: energia e nutrientes na gestação.
  • Organização Mundial da Saúde. Recomendações sobre cuidados pré-natais para uma experiência positiva na gravidez, 2016.

Este conteúdo é informativo e não substitui o acompanhamento com o seu médico e a sua nutricionista.