Deficiência de ferro na gravidez: riscos, ferritina e suplementação
A gestação aumenta muito a necessidade de ferro. O corpo produz mais sangue, e o bebê e a placenta também precisam desse mineral. Por isso, a deficiência de ferro é comum, e pode existir mesmo com a hemoglobina normal.
Deficiência de ferro e anemia são a mesma coisa?
Não. Primeiro os estoques de ferro vão caindo. A anemia costuma aparecer depois, quando esses estoques já não dão conta. Por isso, olhar só a hemoglobina pode atrasar o diagnóstico.
Por que o último trimestre pede mais atenção
No último trimestre, a demanda de ferro aumenta ainda mais. É nessa fase que o bebê faz a reserva de ferro que vai usar nos primeiros meses de vida, uma reserva que ele não faz depois do parto. Por isso, chegar ao fim da gestação com os estoques baixos pede atenção.
Riscos da anemia e da falta de ferro na gravidez
A falta de ferro pode causar cansaço, falta de ar, tontura e queda no rendimento do dia a dia. Quando chega à anemia, os estudos mostram associação com:
- Para a mãe: hemorragia pós-parto, cesárea, ruptura prematura da bolsa e hipertensão gestacional.
- Para o bebê: parto prematuro, baixo peso ao nascer e asfixia neonatal.
Associação não significa que toda gestante com anemia terá essas complicações. Também há estudos sobre o desenvolvimento neurológico do bebê, mas essa evidência ainda é menos sólida.
Ferritina na gravidez: o marcador dos estoques
A ferritina mostra como estão as reservas de ferro. Na gestação, várias diretrizes usam ferritina abaixo de 30 µg/L como sinal de deficiência de ferro, mesmo sem anemia.
Mas ela precisa ser interpretada com cuidado. A ferritina sobe com inflamação ou infecção, então um valor normal nem sempre significa estoque suficiente. Por isso, ela é avaliada junto com os outros exames.
Quais exames fazer
- Hemograma: mostra a hemoglobina. A referência mais usada para anemia é abaixo de 11 g/dL no 1º e no 3º trimestre, e abaixo de 10,5 g/dL no 2º. Os valores variam um pouco entre diretrizes.
- Ferritina: avalia os estoques.
- Outros exames: marcadores de inflamação e do metabolismo do ferro podem ajudar, conforme o caso.
Algumas diretrizes sugerem dosar a ferritina antes de engravidar ou no 1º trimestre, entre 24 e 28 semanas e no 3º trimestre.
Suplementação em cada fase
A suplementação depende da fase e dos seus exames. O esquema abaixo é uma referência geral, e a dose é definida para o seu caso.
Antes de engravidar
É o melhor momento para avaliar a ferritina e recuperar os estoques.
Durante a gestação
O Ministério da Saúde orienta a suplementação de rotina com 40 mg de ferro elementar por dia. Com deficiência ou anemia confirmada, a dose pode ser diferente, e os exames são repetidos para ver se houve resposta.
Quando o ferro oral não resolve
Se você não tolera o comprimido, não responde ao tratamento ou está perto do parto com anemia importante, o seu médico pode avaliar o ferro na veia. Em geral, ele é evitado no 1º trimestre.
Pós-parto
A recomendação do Ministério da Saúde é manter o ferro até o 3º mês depois do parto. Vale repetir os exames, principalmente se houve grande perda de sangue.
Como tomar para aproveitar melhor
- Evite tomar junto com café, chá, leite ou suplemento de cálcio.
- Uma fonte de vitamina C, como laranja ou acerola, ajuda na absorção.
- Se o ferro causar enjoo ou intestino preso, avise a sua nutricionista ou o seu médico antes de parar. Ajustar o produto ou tomar em dias alternados pode ajudar.
Alimentos com ferro
Carnes vermelhas, frango e peixes têm o ferro mais bem absorvido. Feijão, lentilha, grão-de-bico e folhas verde-escuras também ajudam, principalmente com uma fonte de vitamina C na mesma refeição. Na gestação, porém, nem sempre a alimentação sozinha repõe os estoques.
Quem é vegetariana, vegana ou fez cirurgia bariátrica precisa de atenção redobrada.
Posso tomar ferro por conta própria?
Não é o ideal. A dose certa depende dos seus exames e da sua fase, e ferro em excesso também não é inofensivo. Fale com o seu médico ou a sua nutricionista.
Consulte uma nutricionista. Cada mulher e cada fase são únicas. As orientações deste texto são gerais, e uma nutricionista pode avaliar o seu caso e montar um plano individualizado.
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Referências
- Ministério da Saúde. Programa Nacional de Suplementação de Ferro: manual de condutas gerais, 2013.
- Pavord S, et al. UK guidelines on the management of iron deficiency in pregnancy. British Journal of Haematology, 2020.
- Haider BA, et al. Anaemia, prenatal iron use, and risk of adverse pregnancy outcomes: systematic review and meta-analysis. BMJ, 2013.
- Frontiers in Global Women's Health. Meta-análise de estudos de coorte sobre anemia materna e desfechos da gestação, 2025.
Este conteúdo é informativo e não substitui o acompanhamento com o seu médico e a sua nutricionista.